Por: Bernard Biolchini

Primeiro ponto a deixar claro que não sou especialista em Direito e não irei entrar nos méritos legais da questão, me atento somente a questões práticas e em alguns aspectos emitindo a minha opinião. Talvez nem a Própria Susep tenha tentado entrar neste mérito tendo em vista a sua, se não inércia quanto ao assunto, sua ineficiência em reprimir essa prática.

Para iniciar – Como surgiram as Cooperativas de Proteção Veicular? O mercado se adapta, de acordo com as necessidades do cliente. E quando há demanda, atender é fundamental. Seguindo esta linha de raciocínio, podemos dizer que existe uma fatia enorme de consumidores que não eram vistos pelas seguradoras como interessantes. As companhias de seguros com seus gênios atuariais, ao longo dos anos, alegam o seguinte motivo para recusar a apólice para a classe média baixa: “não tenho interesse em te ter como segurado, por morar em locais com alto índice de criminalidade, por possuírem veículos mais antigos, o que me dificulta a achar peças de reposição, além de terem o crédito negativado, o que significa que eu já entendo que vocês possam fraudar um sinistro para conseguirem pagar as suas dívidas e “limparem” os seus nomes na Praça. E o consumidor com esse perfil, questiona: então eu não posso proteger o meu patrimônio que demorei tanto para conseguir auferir? Para as seguradoras até podem segurar o bem, desde que paguem entre 30% a 50% do valor do veículo a ser segurado. E mesmo assim, pode ser que a resposta ainda seja não!

O Mercado se adaptou e o público que a seguradora ignora, resolveu se unir em torno de um CNPJ de cooperativa, para que todos paguem mensalmente um valor que possa Proteger o seu patrimônio. As cooperativas de Proteção Veicular foram simplesmente uma adaptação de mercado como muitas que vemos hoje em dia.

Quais são as diferenças entre cooperativas de Proteção Veicular e Seguradoras? As Cooperativas não têm um órgão regulador que fiscalize seu caixa ou balanços, para saber se possuem reserva técnica que garanta uma Indenização. Há também o risco de que uma cooperativa vá à falência, tenha desvios internos e que o seu cooperado em caso de necessidade fique a ver navios. Em Seguradoras não há o Risco de que isto aconteça, ou os riscos são mínimos. O cooperado obviamente pode pleitear seus direitos na Justiça, mas como cooperado, ele também não deixa de ser um cotista. È importante lembrar que a relação de consumidor já fica abalada em caso de processo. Obviamente, muitas coisas poderão ser alegadas pelos advogados e operadores do direito, mas os riscos são muito mais altos. Fazer uma Proteção Veicular é algo que vai muito mais da confiança que a Cooperativa passa do que qualquer outro aspecto. O Famoso jargão: “é o que temos para Hoje. Se não quiser, fique sem nada!”

Proteção Veicular pode ser vendida por qualquer vendedor. Não há a necessidade legal de especialização para ser comercializada. Eu vejo hoje corretores espumando pela boca quando se fala na tal Proteção Veicular, mas não vejo Seguradoras preocupadas, ou se estão, não deveriam estar, pois as proteções foram uma resposta do mercado dada através dos clientes que ela mesma não aceita. Não acredito realmente que os clientes que possam ter seguros em Seguradoras a preços que caibam nos seus orçamentos fariam Proteção Veicular ao invés do Seguro Tradicional.

Finalizo então para não me alongar mais, a Proteção Veicular se agigantou juntamente com a crise. De acordo com a minha opinião, não há nada que se possa fazer para mudar esse quadro. Essa modalidade de proteção nós sabemos que não é seguro e a sua regulamentação já foi aprovada em primeira votação no Congresso. Corretores, a realidade é única: não adianta reclamar dos peixinhos, se os tubarões estão satisfeitos com as suas refeições. Tenham sempre em mente que é preciso não só fazer o planejamento estratégico financeiro e de vendas, mas atuar num cenário onde não existem mocinhos e bandidos, mas sim, profissionais que sabem o que, quando e onde atuar para oferecer o melhor para seus segurados.

*Bernard Biolchini é CEO do Grupo Pentagonal, primeira corretora de seguros com projeto de franquia no Estado do Rio de Janeiro, empresa na qual compõe a relação da Revista Forbes. É especialista em blockchain. Desenvolveu a primeira cripto moeda do Brasil, voltada para contratos inteligentes

 

Escrito ou enviado por  Por: Bernard Biolchini / Karem Soares

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