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Comecei 2020 fazendo uma reportagem sobre seguro viagem. E como estou iniciando 2021? Fazendo uma reportagem sobre… seguro viagem. Dito assim, parece que nada mudou. No entanto, a situação é totalmente outra. Se as empresas do setor naquele momento não pagavam por despesas resultantes do novo coronavírus, porque casos de pandemia estavam excluídos dos contratos oferecidos, agora elas lançam planos com proteção contra covid-19.

Além de realização de teste PCR dias antes do embarque, alguns destinos internacionais estão exigindo que todos os viajantes tenham um seguro viagem com cobertura para covid-19. É o caso das Bahamas, no Caribe, que desde 14 de novembro incluíram a proteção entre as condições para quem quiser solicitar o Health Travel Visa, visto saúde para viagem, em casos de permanência superior a quatro noites.

“A cobertura de gastos médicos por conta de epidemias e pandemias costuma ser excluída de apólices por ser um evento imprevisível e de alto risco. Para oferecer mais segurança e comodidade para os clientes, assim como ocorreu com algumas apólices de seguro de vida, algumas seguradoras flexibilizaram o contrato e passaram a incluir a cobertura para o novo coronavírus em seus produtos: GTA, Intermac, Travel Ace e Affinity”, afirma Paulo Zamboni, CEO da plataforma, que trabalha com proteções das quatro empresas.

Os planos de seguro viagem para covid-19, em geral, cobrem despesas com médico e hospital necessários no tratamento da nova doença, mas alguns também contemplam gastos com odontologia. O que não está previsto por nenhuma empresa consultada pelo Estadão é a cobertura de gastos extras (por exemplo, com hospedagem). Isso pode ocorrer em caso de quarentena obrigatória de 14 dias, depois de exame positivo para covid-19, mas sem a indicação de uma internação hospitalar do viajante.

“A cobertura é apenas médica e hospitalar: consultas, exames, medicamentos, internações, etc. As demais coberturas serão válidas somente para outros imprevistos de doença e acidentes, não para covid-19”, explica Taís Mahalem, head de Marketing e Digital da Coris, antiga April.

Essa é outra curiosidade no mercado de seguro viagem: algumas empresas mudaram de nome. A Travel Ace passa a ser Universal Assistance. Com 40 anos de existência, a companhia se chama assim em outros países onde atua, entre eles, Argentina, Colômbia, Peru, México, Uruguai e Paraguai.

Já a April voltou ao seu nome original: Coris, marca usada em seu lançamento no mercado em 1988, como cartão de assistência de viagem. “Em junho de 2020, a diretoria da April no Brasil comprou da multinacional francesa as operações do seguro viagem no País. Com isso, em outubro, os sócios optaram por relançar a marca e, assim, trazer de volta às origens, que levaram a empresa, primeiro a Coris e depois a April, a se transformar em sinônimo de segurança e confiança”, diz Taís.

Fique atento aos detalhes

Além dos valores de cobertura, vale ficar atento a todos os detalhes dos planos. Por exemplo, das três categorias da Affinity para despesas com a nova doença, duas incluem Hospital Cash. “Trata-se de uma indenização por hospitalização”, explica Valéria Pereira, gerente de Produtos da empresa. A companhia paga ao viajante quando ele for colocado em espaços definidos pelo governo do país para tratamento de covid-19, como os hospitais de campanha, não em instituições já existentes; o benefício é válido para internações de no mínimo 48 horas e no máximo 15 dias.

Os preços de seguro-viagem sempre dependem do destino, do total de dias da viagem, da cobertura escolhida e dos serviços contemplados no contrato. “Temos três categorias com valores desde US$ 1,63 até US$ 8,38 por dia. O mais simples tem cobertura no valor de US$ 5 mil. Já o segundo possui cobertura de US$ 30 mil, 15 dias de Hospital Cash e ainda traslado de corpo ou restos mortais devido à covid-19”, diz Valéria.

Destinos nacionais

Uma prática que chama atenção na pandemia é a oferta de seguro viagem contra covid-19 para viagens nacionais. A maior parte das empresas trabalha exclusivamente com produtos voltados para quem vai para o exterior. A Seguros Promo, plataforma online que vende planos com cobertura para covid-19 da Intermac, da Travel Ace, da Affinity e da GTA, também oferece nas duas últimas empresas a proteção contra a nova doença para quem vai a destinos brasileiros.

Entre as principais companhias do setor de viagens, a CVC Corp vende a cobertura para covid-19 dentro do Brasil para os consumidores de suas sete marcas: CVC, Submarino Viagens, Visual Turismo, Experimento Intercâmbio Cultural, RexturAdvance, Esferatur e Trend.

Ao todo, o viajante tem à disposição oito planos para covid-19. Em razão de uma parceria da CVC com a Travel Ace, a proteção contratada com a operadora pode sair mais em conta. Em planos para viagem internacional, o valor mínimo por dia diretamente na empresa de seguro viagem é de US$ 8, enquanto na CVC sai por US$ 6. A proteção para covid-19 pode ser contratada até 180 dias antes do embarque.

Quanto custa?

Os valores abaixo são por dia e os mais em conta em planos com cobertura para covid-19, conforme informado pelas empresas.

– Affinity: São três categorias para viagens internacionais, com valores entre US$ 1,63 e US$ 8,38. A cobertura varia de US$ 5 mil para despesas médicas e hospitalares a US$ 30 mil, mais 15 dias de Hospital Cash e traslado de corpo ou restos mortais em decorrência da covid-19.
Site: affinityseguro.com.br.

– Coris: O plano Basic 30 mil, para a Europa ou para a América Latina, sai por US$ 5,50 e dá cobertura de US$ 30 mil em despesas médicas, hospitalares e odontológicas para covid-19. Dá desconto de 25% do segundo ao sexto passageiro.
Site: coris.com.br/seguroviagem.

– CVC/Universal Assistance: Custa R$ 15 dentro do Brasil e US$ 6 no exterior. As coberturas de despesas médicas vão de R$ 28 mil (nacional) a US$ 30 mil (fora do País).
Site: cvc.com.br.

– Seguros Promo: Sai US$ 19,58 para viagens internacionais pela Intermac. Já nas nacionais custa R$ 6,29 na GTA.
Site: segurospromo.com.br.

O crescimento dos casos de coronavírus afugentou parte dos viajantes e esfriou a recuperação do setor de hotelaria e turismo, que, agora, passa a esperar melhora dos negócios só a partir do segundo semestre de 2021. As atividades tendem a seguir minadas pelo clima de insegurança até que o plano nacional de vacinação se torne realidade, acreditam empresários.

A Atlantica Hotels vive esse clima de altos e baixos. A rede tem 135 hotéis e 22 mil quartos no Brasil, com bandeiras como Confort, Quality e Radisso. “Este será um ano de recuperação, mas isso só deve acontecer no segundo semestre, quando a vacinação se massificar e os viajantes voltarem a ganhar confiança”, afirma o vice-presidente de operações da empresa, Guilherme Martini. “Para melhorar de verdade, as pessoas precisam ter conforto na decisão de se deslocar.”

A ocupação e o faturamento da companhia em dezembro foram, respectivamente, 26% e 35% menores do que no mesmo mês do ano anterior. Apesar da queda, houve melhora em relação a abril, auge da quarentena, quando esses indicadores chegaram a recuar mais de 90%. No consolidado de 2020, o grupo teve ocupação e faturamento 48% e 50% menores do que em 2019. Para 2021, a expectativa é diminuir essa perda para 15% em relação a 2019.

Diante do cenário marcado por incertezas e agravado pelo fim das medidas de apoio por parte do governo federal, a Atlantica Hotels decidiu cortar um terço da mão-de-obra no último ano. “Lá atrás, percebemos que a pandemia não era um fato de curto prazo e que a recuperação seria lenta. Então buscamos a estrutura mínima eficiente para funcionamento dos hotéis”, explica Martini. A expectativa é recontratar à medida que as condições melhorarem.

A rede Blue Tree, composta por 23 unidades no Brasil, atravessa situação semelhante. O grupo fechou 2020 com queda de 63% no faturamento ante 2019. Para 2021, a previsão é reduzir essa queda para cerca de 40% ante 2019. “Esperamos uma recuperação mais forte após a vacinação”, afirma a empresária nipo-brasileira Chieko Aoki, fundadora e presidente do grupo. “O faturamento só deve ser bom a partir de julho ou agosto.”

Enquanto isso, a estratégia para sobreviver será baseada na gestão dos custos, reforço dos protocolos de segurança sanitárias e até mesmo diminuição das tarifas para atrair hóspedes, diz Aoki. “Vamos avaliar os custos todos os dias e buscar todas as negociações possíveis. E vamos dar desconto, sim, porque isso é parte da lei de oferta e demanda”.

Recuperação desigual

O fôlego nas atividades de hotelaria partiu do segmento de lazer, em cidades turísticas, praia e campo. Os empreendimentos focados em negócios e localizados nas regiões metropolitanas, como hotéis corporativos e centros de convenções, seguiram com movimento muito fraco.

“A hotelaria de lazer teve um arranque. Esse movimento ainda está longe de resolver os problemas financeiros das empresas, mas ajudou a amenizar a crise”, avalia o presidente do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), Orlando de Souza. “As viagens a trabalho estão completamente paradas. Nenhuma empresa está deslocando seu quadro de funcionários. As viagens ocorrem só em alguns casos, em última circunstância.”

O FOHB ainda não publicou os dados consolidados de 2020, o dado mais recente mostrava uma ocupação média dos hotéis em 33% até novembro. O número é baixo porque a grande maioria dos associados é de hotéis corporativos, explica Souza. “No geral, tínhamos uma melhora pouco a pouco. Agora é provável que caia de novo, porque a pandemia recrudesceu.” A expectativa é observar a retomada apenas quando houver a vacina, após o primeiro quadrimestre.

O segmento de alto luxo também foi sacudido pela crise, embora mostre maior resiliência. A ocupação média do setor desabou para o patamar de 1% a 5% entre abril e junho, subindo a 18% em julho, 66% em novembro e 69% em dezembro, de acordo com a Associação Brasileira de Viagens de Luxo (BLTA). A entidade reúne grifes como Fasano, Emiliano, Tangará, TXAI, entre outras.

“A demanda reprimida por lazer durante a quarentena e as fronteiras internacionais fechadas impulsionaram as viagens internas”, relata a presidente da BLTA, Simone Scorsato. “No mercado de luxo, a procura foi imensa. Alguns resorts tiveram ocupação até maior do que nos anos de 2019 e 2018. Nas capitais o cenário está mais fraco.”

Aéreas

Pelos dados do setor aéreo, é possível perceber que muitos brasileiros optaram por viajar no fim do ano apesar do aumento nas contaminações. Números divulgados pela Gol mostram um aumento de 29% na oferta de voos em dezembro. A Azul informou ter fechado dezembro com aumento de 18,1% na demanda em comparação com novembro, além de avanço de 22,5% na oferta. A ocupação dos voos no mês foi de 80%.

O receio das contaminações também impulsionou a procura por segmentos mais caros. A demanda por voos executivos para destinos turísticos como Jericoacoara (CE), Trancoso (BA) e Angra dos Reis (RJ) disparou no fim do ano.

Dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) mostram um retrato um pouco melhor do que no exterior. Enquanto a demanda de passageiros nos mercados domésticos globais caiu 41% em novembro na comparação com igual mês de 2019, no Brasil a retração era de 34,5%. A ocupação era de 84,5% nas companhias aéreas brasileiras, ante 66,6% fora do País.

Simone, da BLTA, alerta, porém, para o risco de o Brasil perder hóspedes neste ano para os destinos mais adiantados na vacinação e, portanto, mais próximos de voltar à normalidade. “Os países que não fizerem a lição de casa ficarão na lanterninha”, pondera. “E a imagem do Brasil lá fora saiu totalmente arranhada na pandemia. Precisaremos trabalhar de forma redobrada para reforçar a percepção do País.”

 

FONTE: Diário do Sudoeste