As regras que vão viabilizar a operação das insurtechs no mercado segurador exigirão melhor integração entre as iniciativas e as companhias tradicionais e deve pressionar por preços mais baixos no setor. A expectativa é de as normas passem a valer em 2020.

A expectativa é que a titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Solange Vieira, divulgue as novas regras ainda hoje. Também é provável que ao longo do segundo semestre, uma consulta pública também seja implementada pelo órgão.

Além da maior flexibilização das exigências da Susep para possibilitar a atuação das insurtechs no mercado, a maior concorrência entre os players – e, consequentemente, preços menores – e uma melhor integração de sistemas entre as iniciativas e as seguradoras tradicionais também são esperadas nessa nova regulamentação.

De acordo com o CEO da Thinkseg, André Gregori, “do ponto de vista regulatório ainda não está claro qual o papel das insurtechs” e, apesar dessas diretrizes poderem facilitar a integração e as parcerias entre as startups e as seguradoras, uma maior concorrência também é esperada para o mercado.

“As relações de parcerias prevalecem, mas essa movimentação também vai trazer uma pressão maior no mercado, tanto quanto aos preços cobrados como em relação aos produtos oferecidos. Porque no final do dia, o que tem que prevalecer, é o consumidor”.

Segundo o vice-presidente comercial e de marketing da SulAmérica, André Lauzana, no entanto, o maior foco da regulamentação estará em trazer a maior expansão do seguro no País e em melhorar a experiência do consumidor.

“Quando há mudanças na forma de regular o setor, novas ofertas e possibilidades aparecem e é natural que exista uma pressão em preços e concorrência. Isso é muito positivo e temos acompanhado essas transformações. Tanto os corretores como essas inovações são facilitadoras para o acesso à informação e para a adaptação do mercado”, completa.

Da mesma forma, as adaptações do mercado para trazer novos segurados também estão entre as demandas do setor. “Antigamente, o produto de seguro era muito técnico e atualmente, com as novas tecnologias, pensar no cliente está acima de tudo. Nem a opinião do CEO é mais importante do que o cliente. E é isso o que tem trazido resultados muito bacanas”, afirma o CFO da Youse, José Filippini.

Desafios

Além das discussões ao redor de novas regras, as atenções também estão voltadas para a adoção do Open Insurance, que seria o mesmo conceito de abertura das chamadas Interfaces de Programação de Aplicativos (do inglês, APIs) que o Open Banking oferece às fintechs, por exemplo, mas aplicado ao mercado segurador.

Nesse sentido, porém, os especialistas reiteram que um dos maiores desafios do setor seria a adaptação dos sistemas das seguradoras tradicionais os quais, tanto pelo tamanho quanto pela complexidade, ainda encontram dificuldades em preencher as lacunas de inovação exigidas pelas insurtechs e pelo Open Insurance.

Para o CEO da Kakau Seguros, Henrique Volpi, a adaptação desses sistemas é exatamente a maior barreira do mercado, atualmente. “As grandes seguradoras já estão com processos para essa atualização, mas são mudanças complexas. Mas é muito importante que essas integrações sejam facilitadas”, avalia.

“Além disso, essa constante evolução em monitorar o comportamento de consumo, propor novas experiências ao cliente e melhorar o atendimento tanto humano quanto o tecnológico, também são desafios constantes”, diz Lauzana.

Segundo Volpi, não demorará para que as insurtechs entrem mais forte no mercado para capturar esse movimento. “A estimativa é que alguma movimentação já comece a ser vista ao longo deste ano e que algum reflexo mais forte já seja sentido a partir de 2020”, conclui o CEO da Kakau.

 

Escrito ou enviado por: ISABELA BOLZANI

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